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quarta-feira, 2 de março de 2011

Aprendizagem



Ontem pediu para falar comigo...e pela primeira vez ouvi não o menino de 16 anos, mas sim o rapaz de 16 anos. Explicou-me que não gostava da área de estudo, que queria mudar, o porquê, tudo fundamentado e explicito. Não estava confuso. Era um passo medido, estruturado e certo, já. Explicou.me o que iria fazer e os passos que contava dar.
À medida que ele ia falando, vieram-me as lágrimas aos olhos. Contive-me.

Tudo o que eu lhe ensinara, estava ali. Depois da morte do meu irmão, prometi a mim mesma que a vida nunca teria para mim só uma estrada em linha recta, sem saídas. Para mim sempre será importante saber que posso tomar outro caminho, ver outras paisagens, parar sempre que quiser, ser feliz. Quando ele nasceu, foi a primeira coisa em que pensei; Estou cá para o ajudar, estarei sempre presente, mas se ele não souber que está na mão dele mudar a sua realidade, alterá-la e que o pode fazer sempre, sempre, nada poderei fazer nunca.

E aqui estava. O rapaz responsável para com a sua vida, a sua vontade, a sua felicidade, está a despontar. Tudo o que não nos faz feliz, deve ser alterado, sempre que possivel. Não serve de nada ir tapando e fazer de conta que não é nada. Nunca dá resultado.
É isto que está certo, o enfrentar, o procurar outras soluções. Procurar na estrada as placas de saída para outros destinos.

O meu menino cresceu. O que para outros pais seria problemático, é de certa forma para mim uma vitória. Consegui passar-lhe uma Ferramenta de vida, a melhor de todas elas.

Agora o que espero é conseguir aceitar e respeitar ao longo da vida todas as suas escolhas. Temos homem.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Ninguém me ouve

Aqui, onde ninguém me ouve, posso confessar uma coisa. Sempre achei aquilo que o Carlos Castro fazia um bocadinho baixo. E mais, sempre achei que metade dos "assumidos amigos" o eram, por medo. Não se diz mal dos amigos, pois não? Agora que ele morreu, vão como é costume "puxar o lustro" ao que ele fazia, e quem sabe se daqui por uns tempos não vamos ouvir dizer que ele faz falta na imprensa escrita. A morte neste país ainda funciona um bocadinho como promoção.

domingo, 24 de outubro de 2010

Adolescência...

Há um mês atrás a noticia correu aqui no burgo e também em alguns jornais. A "professora" da Playboy viria dar aulas na escola básica nº 1 da cidade. Contaram-se umas anedotas, umas chalaças, quanto às qualificações da senhora. Tudo bem. A senhora fotografou em ambientes e com poses que sugeriam a sua profissão, abriu portanto a porta a comentários de âmbito profissional, queira ou não!

Até aqui, tudo bem.
Ora o meu filhote vai fazer 16 anos. Com as suas hormonas saltitonas, veio, assim que soube, dar-me a noticia. Deu-ma. A seguir explicou-me que já lhe tinham mostrado as fotografias e que tinha combinado com os amigos ir ver a senhora á saida da escola, no dia seguinte (dia da sua estreia escolar).
BEM, CONTEI ATÉ DEZ, tentei saber onde tinha visto as fotos, e depois expliquei-lhe o melhor que pude que o facto de alguém se despir para uma revista deveria ser visto de uma forma natural e que a pessoa não deveria ser tratada de forma diferente ou desrespeitosa pelo acto.

Tá bem abelha!!
O meu filho percebeu, mas as mãezinhas dos policias que lá estavam, pelos vistos nunca lhes tinham falado disso. Naquela escola  há sempre um policia na passadeira, por causa dos meninos. Naquele dia estavam lá três por causa da menina, babados e com um sorriso de orelha a orelha.

O meu filhote sempre foi ver a senhora, mas só 3 dias depois.
Chegou a casa e mandou: Já fui ver a professora nova.
Eu, mãe fixe e moderna: E então?
- Não me desiludiu nada.

E acabou.
Há alturas em que não parece nada ter 15 anos.